quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Short History of America


Porque o humor é o maior aliado da história...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Independência dos EUA

Aí vai a apresentação das duas últimas aulas.
O Moodle não suporta arquivos muito pesados...

video

Abraços,
Camila
Obs.: Desculpem a demora. A net aqui tá lerda...

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A porta da verdade estava aberta

Ao passar por uma porta, nós, meias pessoas que somos, permanecemos iludidas. Mas - será possível? - a passagem diminui a miopia, os caprichos.

Esses são tempos estranhos, em que a vontade de arrebentar ou derrubar as portas quase se perdeu. (Será?) No máximo, espiamos o que há do outro lado pela fechadura e, só de tocar a maçaneta, intimidados, corremos de volta para não nos encontrarmos. Medo da luz? Ela seria muito forte?

Pode ser também receio de descobrir que, como antes, permaneceríamos metades, míopes e caprichosos.

Vai saber... A ideia é tentar.

Experimente carregar uma saca de café nos ombros, levantar a cabeça pesada, e ver quem chega. Ou talvez, manipular contêineres e ver quem sai. Será que o cheiro do porto mudou quando os trapiches foram destruídos?

Experimente entrar, à noite, em uma "casa de família" na Rua General Câmara, em busca de diversão. O pai da moça diria que você está em lugar errado, saberia que é novato (talvez até risse de você se estivesse de bom humor), e que deveria procurar as lâmpadas vermelhas se quisesse um trago.

Mas se seu sobrenome fosse Fox, você estaria mais longe da Boca de Santos. Você iria preferir o fog de Paranapiacaba e as casinhas no alto da serra - a porta de entrada para a baixada. Será, mesmo, que os Foxes e Smiths não desciam a serra no fim da noite? O maquinista descia. Manivelas, carvão, apito do trem. Reveja seu caminho. (O dele, e o seu.)

Hoje em dia já tem gente pensando nos caminhos que ainda serão percorridos. Não se interessam tanto pelos que passaram, mas pelos que passam e, sobretudo, pelos que passarão. Perguntam-se o que será da vila, da baixada se as coisas continuarem como estão. Estão em todos os lugares. ONGs, prefeituras, Unesco.

A ideia é tentar.

A verdade dividida

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade
In Contos Plausíveis
José Olympio, 1985